Em um cenário em que processos administrativos, comunicações oficiais e materiais institucionais migraram quase integralmente para o meio digital, um contrato firmado pela Câmara Municipal de Cururupu chama atenção pelo valor, pelo prazo e pelo contexto em que foi celebrado.
Sob a presidência do vereador Josean Almeida Costa (Republicanos), a Casa Legislativa assinou, no dia 15 de janeiro de 2026, um contrato no valor de R$ 100 mil com a empresa J R Gráfica e Publicidade Ltda, destinado à prestação de serviços gráficos. O extrato do contrato foi publicado no Diário Oficial da Câmara e estabelece vigência até 31 de janeiro de 2026, ou seja, apenas 15 dias.
Na prática, o acordo prevê um desembolso superior a R$ 100 mil em um intervalo extremamente curto, o que desperta questionamentos sobre o volume de material gráfico a ser produzido e a real necessidade desse tipo de serviço em uma Câmara Municipal de pequeno porte, cuja rotina administrativa, em sua maioria, ocorre atualmente de forma digital.

Com a informatização de processos, o uso de sistemas eletrônicos, portais oficiais de transparência e a ampla utilização das redes sociais para divulgação institucional, especialistas em gestão pública apontam que gastos elevados com material gráfico tendem a ser cada vez mais excepcionais, sobretudo em tempos de contenção de despesas e cobrança por eficiência no uso dos recursos públicos.
O valor expressivo, aliado ao prazo exíguo do contrato, levanta dúvidas sobre a compatibilidade entre o serviço contratado e a demanda real do Legislativo municipal. Que tipo de material justificaria uma despesa dessa magnitude em apenas duas semanas? Quantas unidades seriam produzidas? Há planejamento prévio ou urgência administrativa que sustente a contratação nesses moldes?
Diante dessas questões, a reportagem procurou o presidente da Câmara Municipal, por meio da assessoria de comunicação e do e-mail institucional, solicitando esclarecimentos sobre os critérios utilizados para a contratação, o quantitativo de material gráfico previsto, a justificativa para o prazo reduzido de vigência e se existe a previsão de novas contratações ou eventuais aditivos relacionados ao mesmo objeto.
Até o fechamento desta matéria, não houve retorno oficial. O espaço segue aberto para manifestação da presidência da Câmara ou de qualquer órgão envolvido, em respeito ao princípio do contraditório e à transparência que deve nortear a administração pública.
Enquanto isso, o contrato segue gerando debate nos bastidores políticos e entre a população, que cobra cada vez mais rigor, clareza e responsabilidade na aplicação dos recursos públicos municipais.





