Ausência de Lula e postura contida entre candidatos marcam o início da corrida presidencial na Band
BRASIL – O primeiro debate entre os presidenciáveis de 2018, realizado pela TV Bandeirantes na noite desta quinta-feira (9), movimentou o cenário político nacional, mas teve clima morno e poucos confrontos diretos entre os principais candidatos. Com a ausência do ex-presidente Lula (PT) — preso em Curitiba — o evento teve um tom mais ameno, embora alguns momentos de tensão tenham se destacado.
Participaram do debate oito dos treze candidatos já confirmados para a disputa ao Planalto: Jair Bolsonaro (PSL), Geraldo Alckmin (PSDB), Ciro Gomes (PDT), Guilherme Boulos (PSOL), Marina Silva (Rede), Henrique Meirelles (MDB), Álvaro Dias (Podemos) e Cabo Daciolo (Patriota). Conforme a legislação eleitoral, só foram convidados os candidatos cujos partidos têm, no mínimo, cinco representantes no Congresso Nacional.

Lula ausente, Haddad em “debate paralelo”
Com Lula impedido judicialmente de participar por videoconferência, o PT organizou um debate alternativo, com a presença de Fernando Haddad, vice na chapa petista e possível substituto do ex-presidente na disputa. A ausência de Lula, que liderava as pesquisas à época, diminuiu a temperatura do confronto entre os demais presidenciáveis.
Boulos e Bolsonaro protagonizam confronto mais duro
O momento de maior tensão foi protagonizado por Guilherme Boulos (PSOL) e Jair Bolsonaro (PSL). Boulos questionou o adversário sobre a funcionária de seu gabinete Walderice Santos da Conceição, apontada pela imprensa como “funcionária fantasma” que atuava em um comércio de açaí em Angra dos Reis.
“O senhor não tem vergonha?”, provocou Boulos, referindo-se também ao uso do auxílio moradia por Bolsonaro.
O deputado respondeu com ataques diretos:
“Teria vergonha se tivesse invadindo casa dos outros, como o senhor faz”, alfinetou, encerrando sua fala com: “Não vim pra cá bater boca com um cidadão desqualificado como esse aí”.
Alckmin no foco, centrão na mira
Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo, foi o mais cobrado por outros candidatos. Marina Silva (Rede) questionou sua aliança com o chamado centrão — grupo formado por partidos como DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade — e criticou a incoerência entre o discurso de mudança e a prática de alianças com políticos ligados ao governo Temer.
“O senhor diz que quer mudar o Brasil, mas se aliou à base de sustentação de Temer. Isso é fazer mudança?”, questionou Marina.
Já Ciro Gomes (PDT) atacou a defesa de Alckmin à reforma trabalhista:
“Essa selvageria nunca fez nenhum país do mundo prosperar.”
Bolsonaro defende pautas polêmicas
Bolsonaro manteve suas posições conservadoras e polêmicas. Defendeu a castração química para estupradores e referendo para facilitar o acesso a armas de fogo, atribuindo o crescimento da violência à política de direitos humanos.
“O cidadão de bem foi desarmado, o bandido continua bem armado”, disse.
Álvaro Dias e a Lava Jato
Álvaro Dias (Podemos) destacou a Operação Lava Jato, afirmando que ela deveria ser institucionalizada como ferramenta permanente contra a corrupção. Prometeu nomear o juiz Sergio Moro como ministro da Justiça em um eventual governo.
Daciolo foge do roteiro
Cabo Daciolo destoou do tom contido e atacou praticamente todos os candidatos, com discursos repletos de teor religioso e teorias conspiratórias, garantindo momentos de excentricidade que viralizaram nas redes sociais.
Audiência e impacto
O debate registrou média de 6,1 pontos de audiência na Grande São Paulo, com pico de 7,5 pontos, segundo dados do Ibope. Cada ponto equivale a 201.061 telespectadores, o que mostra que, mesmo com um embate morno, o evento atraiu atenção do eleitorado e movimentou as redes sociais.





