• Governo Bolsonaro mobiliza diplomacia italiana para minimizar críticas de bispos no Sínodo da Amazônia

    Ações diplomáticas e estratégicas e reação de especialistas e líderes indígenas

    Embaixador italiano Antonio Bernardini após visita a Bolsonaro, em novembro, no Rio Foto: Pilar Olivares/Reuters
    Embaixador italiano Antonio Bernardini após visita a Bolsonaro, em novembro, no Rio Foto: Pilar Olivares/Reuters

    BRASÍLIA – O Palácio do Planalto está adotando uma estratégia diplomática para se blindar de possíveis críticas à política ambiental e social do governo durante o Sínodo sobre a Amazônia, promovido pelo Papa Francisco em Roma, em outubro. A iniciativa inclui buscar apoio da Itália, que mantém relações estreitas com o Brasil desde a prisão de Cesare Battisti, para interceder junto à Santa Sé.

    Segundo informações do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), a preocupação do governo não é com a Igreja Católica em si, mas com alguns pontos da pauta do evento que poderiam afetar a soberania nacional. Entre os temas debatidos no Sínodo estão a situação de povos indígenas e quilombolas e mudanças climáticas, considerados pelo Planalto como parte da “agenda da esquerda”.

    Para contrabalançar críticas internacionais, o governo brasileiro planeja múltiplas frentes de atuação:

    Sinspumuc
    Sinspumuc
    ULTRAGAZ CURURUPU
    ULTRAGAZ CURURUPU
    • Solicitar intermediação dos embaixadores da Itália e do Vaticano no Brasil, Antonio Bernardini e Giovanni D’Aniello, para divulgar projetos brasileiros de proteção ambiental e social.

    • Organizar um simpósio paralelo em Roma, em setembro, apresentando projetos de preservação da Amazônia, agricultura sustentável e proteção de povos indígenas.

    • Promover eventos dentro do Brasil, como o 1.º Encontro do Grupo de Agricultores Indígenas, na aldeia Bacaval, Mato Grosso, destacando práticas agrícolas sustentáveis conduzidas por comunidades indígenas.

    • Apresentar programas de extração legal de madeira e incentivar empresas estrangeiras a comprarem apenas produtos certificados.

    O presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), arcebispo Roque Paloschi, considerou a estratégia do governo desnecessária. Segundo ele, o Sínodo visa encontrar caminhos de solidariedade e fraternidade com as populações da Amazônia, sem estabelecer normas para o governo.

    Em nota oficial, o GSI reforçou que a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) não atua contra a Igreja e que a preocupação é funcional, relacionada à soberania e à gestão da Amazônia.

    O governo busca, com essas ações, apresentar uma frente diplomática e mediática que demonstre internacionalmente que o Brasil mantém projetos de preservação ambiental e desenvolvimento sustentável, enquanto minimiza a percepção de críticas externas ao Planalto.

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