Aliados usaram as redes sociais para pregar a união em torno da chapa de Flávio Bolsonaro (PL) depois de o senador ler, em transmissão ao vivo no YouTube, uma nova carta escrita pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). No texto, o ex-mandatário pede que “possíveis diferenças” sejam “deixadas de lado”, na esteira da escalada da crise do filho com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
No texto, Bolsonaro fala que o Brasil vive um momento de decisão e pede engajamento na campanha de Flávio ao Planalto. Na sequência, designa o filho como seu representante político: “Meu pré-candidato, creio que o seu também, meu porta-voz, no qual confio para resgatar o Brasil e nos conduzir para a paz e a prosperidade”, diz trecho da carta, que não cita Michelle.
Pelo X, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) Nikolas Ferreira (PL-MG) prometeu apoiar o projeto apontado por Jair Bolsonaro e destacou ser a segunda vez que o ex-presidente pede publicamente “união” e “maturidade” em nome de “algo maior”.

“Infelizmente, alguns parecem não conseguir obedecer nem mesmo o líder que dizem seguir”, destacou o pré-candidato à reeleição, sem citar nomes. “Da nossa parte, não haverá espaço para vaidade, disputa interna ou ressentimentos”, acrescentou.
Também pelo X, o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), compartilhou a carta. “Juntos pelo Brasil. Flávio Bolsonaro presidente”, ressaltou o coordenador de campanha do filho de Jair, alvo de “fogo amigo” no PL.
Políticos que compuseram a equipe de Jair Bolsonaro na Presidência também pregaram união pró-Flávio. Ex-ministro da Previdência, Onyx Lorenzoni (PP-RS) disse que a carta “foi bem clara” sobre a necessidade de deixar pequenas diferenças e projetos pessoais em prol de apoio a Flávio, enquanto o deputado federal e ex-secretário especial de Cultura Mário Frias (PL-SP) defendeu respeito ao “comando” do “capitão” e apontou que a mensagem “não deixa espaço para dúvidas”.
“O próprio presidente foi claro ao afirmar que Flávio é seu porta-voz, o único autorizado a falar em seu nome, encerrando qualquer especulação ou tentativa de criar divisões”, ressaltou Frias.
Já o pré-candidato à Presidência do PSD, Ronaldo Caiado, por sua vez, considerou que a carta de Bolsonaro foi sinal de “extrema fragilidade” da campanha de Flávio. Empatado tecnicamente em terceiro lugar com Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), o ex-governador de Goiás tem intensificado críticas ao filho do ex-presidente para tentar alavancar a própria candidatura na direita.
A jornalistas, no Festival do Japão, em São Paulo, Caiado afirmou que Flávio “precisou pedir socorro ao pai” em meio às crises recentes.
— Nós sabemos muito bem que um pai não nega um pedido de um filho. Agora, você tem que estar preparado para governar, para presidir. Você não pode recorrer, a cada crise, a uma carta de seu pai. Você tem que ter as condições de poder: uma estrutura política, uma estabilidade emocional e, ao mesmo tempo, uma capacidade de superar as crises que amanhã venham a acontecer — afirmou.
O ex-governador goiano defendeu que, numa campanha eleitoral, “quem tem que responder somos nós, os candidatos”, que não podem ser “porta-voz de ninguém”. Caiado ponderou que suas críticas não se estendem ao ex-presidente Jair Bolsonaro, de quem reconheceu a força política.
Pelo X, Caiado ironizou Flávio. “Flávio Bolsonaro, 45 anos, leu uma carta do pai ao vivo pra dizer que tá pronto pra ser presidente. É isso…”, escreveu ele, antes de ressaltar que “liderança não se herda”.




