
São Luís (MA) – O então superintendente estadual de investigações criminais, Tiago Bardal, foi exonerado do cargo nesta sexta-feira (23) após ser flagrado nas proximidades de um sítio onde a Polícia Militar realizou uma operação contra contrabando de armas, bebidas e cigarros, na região do Quebra Pote, zona rural da capital maranhense.
A decisão foi anunciada pelo secretário de Segurança Pública do Maranhão, Jefferson Portela, durante coletiva de imprensa. Segundo ele, Bardal foi encontrado durante a madrugada de quinta-feira (22), em um carro com outro homem – identificado como seu advogado – próximo à área onde ocorria a operação policial.

Versões contraditórias e exoneração imediata
De acordo com o secretário, ao ser abordado pelos policiais, Bardal inicialmente afirmou que vinha de uma festa. Em seguida, mudou a versão, alegando que estaria na região em busca de um sítio para comprar.
“Ele foi flagrado em local e horário absolutamente incompatíveis com suas funções, em área alvo de investigação da própria Segurança Pública”, disse Portela, justificando a exoneração do superintendente.
Policiais e civis envolvidos em esquema de contrabando
Durante a operação, a Polícia Militar prendeu quatro membros da corporação – um major, dois sargentos e um soldado – além de outras sete pessoas civis. Segundo a SSP, o grupo é suspeito de integrar uma organização criminosa que atuava na região metropolitana de São Luís.
A ação resultou ainda na apreensão de armas, bebidas alcoólicas e cigarros contrabandeados. No sítio usado como base, os agentes encontraram indícios de que o major da PM era o articulador do esquema, utilizando a estrutura da milícia para dar cobertura armada às operações do grupo.
“Já havia informações de inteligência apontando o envolvimento do major. Essa operação confirmou nossas suspeitas”, destacou o comandante regional da PM, coronel Edivaldo Mesquita.
Tiago Bardal nega envolvimento
Em declaração à imprensa, Bardal afirmou que não sabia da operação e que passou todo o dia de quinta-feira (22) na sede da Superintendência de Investigações Criminais (SEIC).
“Ainda não fui chamado a depor e não tenho qualquer relação com o que está sendo investigado”, disse o agora ex-superintendente.
A exoneração foi publicada em diário oficial do Estado e o caso continua sob investigação da Corregedoria da SSP-MA.
Crise na Segurança Pública e impacto institucional
A exoneração de Bardal causa forte impacto na cúpula da segurança pública do Maranhão, já que ele era uma das principais figuras da estrutura de combate ao crime organizado no Estado. O caso levanta questões sobre eventual infiltração de grupos criminosos em setores estratégicos do Estado, especialmente em tempos em que o combate ao tráfico de armas e contrabando ganha maior atenção nacional.





