
Milhares de pessoas se reuniram na noite da última sexta-feira (18), na Praça da Matriz, em Cururupu, para assistir à tradicional encenação da Paixão de Cristo, promovida pela Paróquia São João Batista. O espetáculo, dirigido pelo Padre Ribamar Frazão e encenado por um grupo teatral local, transformou o espaço em um verdadeiro palco de fé, emoção e arte.
A apresentação percorreu momentos marcantes da vida de Jesus, desde o batismo até a crucificação, com cenários bem elaborados e atuações intensas que prenderam a atenção do público. A emoção tomou conta da plateia, que acompanhou cada cena com reverência e silêncio.

Este ano, o espetáculo trouxe uma abordagem atualizada e tocante, incluindo personagens da sociedade contemporânea, como indígenas, mulheres negras, jovens marginalizados, pessoas com identidades de gênero diversas e famílias atípicas — todos simbolizando as “cruzes invisíveis” que muitos carregam no dia a dia. A proposta reforçou a mensagem de inclusão, empatia e valorização do ser humano.
A iniciativa contou com o apoio da Prefeitura Municipal de Cururupu, por meio da Secretaria de Cultura, além de outros parceiros. Segundo a organização, o evento foi um sucesso de público e crítica, reafirmando o papel da arte como ferramenta de transformação social.
Ao final da apresentação, os artistas agradeceram a presença da comunidade e destacaram a importância da participação popular para o fortalecimento da cultura local. A encenação da Paixão de Cristo mais uma vez mostrou que, em Cururupu, a arte emociona, une e transforma.
Todos eles carregando suas cruzes invisíveis, mas reais.
Cristo: amor que transcende o tempo
O amor de Cristo pela humanidade é um mistério sublime. É um amor sem fronteiras, que acolhe, perdoa e salva. Em Cururupu, Jesus não foi apenas o homem crucificado há mais de dois mil anos — ele foi o indígena que resiste, a mulher negra que luta, o jovem que sofre, a pessoa que busca identidade, a família que enfrenta desafios com amor. Ele foi todos nós.
Ao assumir essas dores do mundo, a encenação tocou corações e arrancou lágrimas. Com simplicidade, mas com grande profundidade espiritual e social, os artistas locais mostraram que o amor de Cristo é vivo, real e atual.
O indígena: guardião da terra e da história
A presença do personagem indígena emocionou ao lembrar que os povos originários são os verdadeiros guardiões da terra e da memória brasileira. Mesmo diante de invasões, marginalização e violência histórica, continuam resistindo com coragem, ensinando-nos sobre reconexão com a natureza e com a espiritualidade.
A mulher negra: símbolo de força e dignidade
A figura da mulher negra foi representada como Maria, a mãe que sofre, mas também a que resiste com fé. Uma mulher que carrega nos ombros a herança da escravidão e o peso do racismo, mas que nunca perdeu sua identidade, sua força e sua capacidade de amar.
O jovem marginalizado: ferido pela exclusão
No papel de um dos ladrões crucificados ao lado de Jesus, o jovem marginalizado revelou o drama daqueles que a sociedade esquece. A sua dor exposta no palco ecoou como um apelo por oportunidades, afeto e inclusão. A encenação fez lembrar que Jesus também morreu pelos que são considerados “perdidos”.
A identidade de gênero: o amor que acolhe
Com respeito e sensibilidade, a peça deu espaço para refletir sobre as pessoas que vivem fora das normas tradicionais de gênero. Jesus, símbolo do amor que não julga, acolheu a todos. Foi uma mensagem poderosa de que, no coração de Deus, ninguém é estranho, ninguém é errado — todos são filhos amados.
A família atípica: laços além do convencional
Com uma cena delicada, a encenação mostrou o cotidiano de uma família com uma criança autista. Emoção e ternura tomaram conta do público ao ver o amor incondicional dessas famílias, que, mesmo enfrentando obstáculos, seguem firmes na fé e no afeto.
Um Cristo vivo em cada um de nós
A Paixão de Cristo em Cururupu não foi apenas uma peça, foi uma oração viva. Um chamado à empatia, à solidariedade e à reflexão sobre o verdadeiro significado do amor cristão. Jesus está vivo — nas causas, nas lutas e nos sonhos dos que resistem, acreditam e amam.

























